o esplendor na relva e o tempo de glória da flor,
em vez de chorar,
buscaremos força no que para trás deixamos..."
William Wordswoth
Já faz algum tempo me convenci que, juntamente com Amarcord (1974) de Fellini, Cinema Paradiso (1988) de Giuseppe Tornatore concorre entre os meus cinco filmes prediletos. Talvez seja um dos filmes que mais revi e toda vez me emociono. Acredito que é uma das mais belas declarações de amor ao cinema e às coisas boas que ficaram guardadas no passado.
A amizade de Alfredo, a paixão pelo cinema e a nostalgia de Totó
Em uma das cenas mais belas do cinema, quando Totó revê os beijos censurados compilados por Alfredo, Tornatore consegue mostrar o quê realmente é nostalgia. É quando o tempo pediu tempo. É quando lembrança só é lembrança quando o tempo passou. Totó não se emocionaria se todo fim de ano voltasse a Gianclado para rever a família. Giuseppe Tornatore mostrou que a nostalgia é um tempo que exige tempo. E que é tão bom rever coisas que são parte de nós, mas que permaneceram empoeiradas em um devido lugar do tempo.
Ainda que, como disse Wordsworth, nada possa trazer o esplendor do tempo que se foi, toda reminiscência têm sua beleza e seu valor. E se Amarcord de Fellini nos arranca singelos sorrisos, Cinema Paradiso de Tornatore pede PQP’s sussurrados. Pelo mesmo motivo.
# música: Cinema Paradiso (Ennio Morricone)