A obra que já foi considerada uma das 20 melhores obras de não-ficção do século XX,foi reeditada em quatro volumes e lançada em ocasião da 20º Bienal do Livro de São Paulo. A 3ª edição da obra vem acrescentada de dados informativos e importantes notas remissivas.
E vem mais por aí. Segundo informações de bastidores, a Editora Topbooks também irá reeditar a HLO. Seguindo o projeto de reedição das obras de Otto Maria Carpeaux, esta reedição será composta de três volumes, compostos cada um com seu próprio índice onomástico. A previsão é para esse ano ainda. Portanto, essa é a hora de mexer na poupança.
A nova ‘Lei Seca’ aprovada pelo Governo e tão badalada pela mídia é um sério atentado contra a liberdade do indivíduo e um atestado de hipocrisia à ineficiência da segurança pública.
Entendo que a lógica dessa nova lei é tirânica e restringe a liberdade do indivíduo em nome de uma probabilidade de risco. A estúpida lógica utilitarista de os fins justificarem os meios, nesse caso, acaba por poder criminalizar equivocadamente um homem que há décadas janta com a família todo domingo, toma sua taça de vinho e consegue dirigir perfeitamente. A intolerância dessa lei sai demasiadamente caro à liberdade individual. E esse preço é pago em nome da ineficiência da segurança pública no país.
Se o objetivo é a diminuição dos acidentes por dirigir embriagado, então mudamos o código e instauramos a tolerância zero no teste do bafômetro! Vejam o diagnóstico das autoridades: a lei anterior – artigo 165 do Código de Trânsito – não era boa por causa do limite de álcool no sangue, e não porque a fiscalização era insuficiente.
Com efeito, é fácil comprar a idéia de que a nova lei resultou em queda dos acidentes de trânsito quando se têm praticamente um cerco armado fiscalizando as ruas. Houve um aumento significativo das blitz e fiscalização. Sim, e isso é bom. Mas a questão é: por que não havia essa fiscalização no exercício da lei anterior? Acredito que a queda do número de acidentes por embriaguez se deu até agora simplesmente em virtude de uma maior fiscalização, e não na redução radical do limite de álcool no sangue – que já era baixo na lei anterior. Em nome da ineficiência da segurança pública, tolhe-se a liberdade dos indivíduos de tomar seu chopzinho no fim da tarde e voltar pra casa de carro, de tomar sua taça de vinho num encontro romântico e levar de carro sua mulher para o motel...
É sempre a mesma lógica tupiniquim. O objetivo é diminuir a criminalidade? Vamos instaurar o toque de recolher! O objetivo é diminuir os assaltos a terminais bancários à noite? Fechamos os terminais às 22h! Quem sabe proibimos o futebol para reduzirmos radicalmente o número de faltas e cartões vermelhos...
Nos últimos tempos tenho me convencido de que a melhor maneira para identificar uma música ou alguém que é realmente bom, é o critério PQP. E que para se identificar um clássico, é quando o critério PQP é reincidente.
O critério PQP é desprovido de ruídos, argumentos ou convencimentos. Pode e deve ser educado, sim, como todo juízo de gosto. Mas ele sempre é único. O PQP é proferido baixinho, só para si, naquele estado de estarrecimento contemplativo. Quando algo requer o PQP, certamente aí o sujeito julgou sinceramente, autenticamente.
Ultimamente tenho utilizado o PQP ao escutar três damas. Reincidentemente, ao ouvir Dianne Reeves (Good Night and Good Lucky) e Peggy Lee (Black Coffee). Tenho certeza que o tempo vai passar, vou ficar velho, vou perder alguns dentes, ficar um pouco surdo e, sentado na minha poltrona quase encardida, vou ouvir essas duas damas e vou proferir o PQP. É indubitável.
Outra dama que tem me chamado a atenção e requisitou meu PQP é STACEY KENT.
Já ouvi por aí que Stacey Kent é fogo de palha, que não valeria a pena perder tempo quando se tem grandes damas do jazz. Esse é o tipo de julgamento PQP conservador puritano, daquele sujeito que só admite quatro cores no arco-íris. Se dependêssemos de pessoas assim, jamais teríamos instalado o vidro retrovisor dentro do carro.
Stacey Kent é ótima e vale muito a pena escutá-la. Em seu álbum de estréia, Close Your Eyes (1997), a ex-estudante de lingüística e literatura de Nova York chamou a atenção da crítica: algo novo e ótimo nascia (era PQP, sem dúvida). Dali em diante eram só comprovações de uma das cantoras mais promissoras no meio do jazz. Let Yoursef Go (1999), Dreamsville (2000), In Love Again (2002), The Boy Next Door (2003), são jóias raras e bem polidas. Revisitando clássicos do great american songbook, como Cole Porter, Gershwin e Ellington, a doce voz de Stacey foi agraciada com prêmios como o British Jazz Award (2001) e o BBC Jazz Award (2002).
Breakfast on the Morning Tram (2007), último álbum de Stacey Kent, consegue superar Stacey Kent. Com um repertório de dar inveja, lady Kent nos brinda com uma versão linda de What a Wonderful Words, Samba Saravah (B. Powell e V. Moraes) cantada em francês (!!), Ces Petits Riens (Serge Gainsbourg), e outras bossas que em sua voz ficaram mais novas ainda.