17 maio 2006

Enquanto isso em São Paulo... (FDR)

Posted by Picasa

"Vim pro trabalho ouvindo Don Giovanni. Então é assim no Iraque? É assim que se vive num país em guerra civil? Bombas explodem e agências bancárias são metralhadas enquanto pessoas vão pro trabalho cantando vivan le femmine, viva il buon vino, sostegno e gloria d'umanità?"

http://fdr.wunderblogs.com/


#trilha: Gimme the Power (Molotov)

19 março 2006

A arte por Oscar...


Posted by Picasa


"(...)
O artista cuida principalmente da vida moral do homem, mas a moralidade da arte consiste no emprego perfeito de um instrumento imperfeito.
O artista nada pretende provar. Até a verdade se prova.
O artista não tem preferências éticas. A preferência ética no artista é um maneirismo de estilo imperdoável.
...
Na realidade, a arte revela o espectador e não a própria vida.
Quando uma obra de arte dá origem a opiniões divergentes é porque ela é nova, complexa e vívida.
Quando os críticos divergem, o artista concorda consigo mesmo.
Podemos perdoar a um homem que faz uma coisa útil, contanto que não a admire. Quando faz uma coisa inútil, a única escusa é admirá-la imensamente.
Todas as artes são completamente inúteis."

(Oscar Wilde - Prefácio, O Retrato de Dorian Gray)

#música: o Rouxinol (gilberto gil)

02 março 2006

Gênese


Posted by Picasa

Antes era o caos. Era caos porque ninguém tem fotos ou relatos verídicos. Mas antes disso, muito antes, eram os cubinhos de sal.
No céu afora haviam milhões de cubinhos de sal. Um mais intenso que o outro. Então lá pelas tantas, houve algo. Que ninguém sabe ao certo o que foi. Mas foi. Uns passaram a crer num tal 'bigbang'. Outros em vontade divina. No fim ninguém sabe ao certo o que foi. Mas que foi.
Então, lá pelas tantas, que ninguém sabe ao certo quando foi, mas foi, a terra já existia. E mais lá pelas tantas, que ninguém sabe ao certo quando foi, mas foi, um cubo imenso e radiante brilhou mais e mais e virou o Sol. Que também ninguém sabe como, mas foi.
Esse Sol tornou-se tão intenso e tão forte que ninguém sabe como. Mas foi. E de tão intenso e forte, foi aos poucos derretendo os cubinhos de sal que por ali perto da Terra haviam.
E os cubinhos de sal foram derretendo e caindo. Para onde ninguém sabe. Mas caíram. Então, com a força da gravidade, que alguns sabem como, os cubinhos de sal derretidos foram atraídos para a Terra. E de alguma maneira, que ninguém sabe como, mas foi, a Terra até então era água e um pouco de terra. Os cubinhos de sal derretidos, esfarelados, caíram. E caíram. E foram caindo mais e mais naquela água que havia na Terra. Ninguém sabe ao certo como. Mas foi.
E toda aquela água ficou salgada. E dos cubinhos de sal derretidos, esfarelados e depois misturados ao mar, formaram-se seres e mais seres. E deu-se a vida. A vida veio dos cubinhos de sal! Oh céus!
Mas alguns cubinhos de sal, por algum motivo que ninguém sabe ao certo, mas foi, permaneceram lá em cima. Por alguma força ou mutação desconhecida, que ninguém sabe como, mas é, perduraram com aquele calor intenso daquele cubo enorme que chamaram Sol. Aqueles cubinhos de sal, de alguma maneira que ninguém sabe como, se transformaram em cubinhos cristalizados. E de tão fortes que ficaram, brilharam. E brilham.
Uns anos mais depois, os seres que se desenvolveram dos cubinhos de sal derretidos, esfarelados e misturados na água, evoluíram, e evoluíram, e criaram pêlos, e perderam pêlos, e criaram letras, palavras e começaram a pensar. E disseram que aquilo que viam lá em cima eram estrelas. Mal sabiam eles que aquilo tudo eram eternos cubinhos de sal que perduraram com o calor intenso do cubo imenso Sol.
Ninguém sabe como. Mas foi.

#musica: la terrasse (yann tiersen)

01 março 2006

.. de ontem em diante


 Posted by Picasa

De ontem em diante serei o que sou no instante agora
Onde ontem, hoje e amanhã são a mesma coisa
Sem a idéia ilusória de que o dia, a noite e a madrugada ]
[ são coisas distintas
Separadas pelo canto de um galo velho
Eu apóstolo contigo que não sabes do evangelho
Do versículo e da profecia
Quem surgiu primeiro? o antes, o outrora, a noite ou o dia?
Minha vida inteira é meu dia inteiro
Meus dilúvios imaginários ainda faço no chuveiro!
Minha mochila de lanches?
É minha marmita requentada em banho Maria!
Minha mamadeira de leite em pó
É cerveja gelada na padaria
Meu banho no tanque?
É lavar carro com mangueira
E se antes um pedaço de maçã
Hoje quero a fruta inteira
E da fruta tiro a polpa... da puta tiro a roupa
Da luta não me retiro
Me atiro do alto e que me atirem no peito
Da luta não me retiro...
Todo dia de manhã é nostalgia das besteiras que fizemos ontem

(Fernando Anitelli)

#marchinha: Juca Teles Amora e Flor.

21 janeiro 2006

100 anos de Quintanares...

2006, Ano do Centenário de Mario Quintana.

04 janeiro 2006

Re[corte]

Me parece que todo ator bom têm uma espécie de buraco no ego, uma falha em sua identidade, jamais suprida, mas emergida pelo personagem.

05 novembro 2005

Da música


Posted by Picasa

Ouvimos música num estado emocional mais elevado que o diálogo. Algumas frases são tão simples, que não há como dizê-las, pois somem no ar. São simples demais. Mas ao cantar, elas ficam realmente lindas pela sua simplicidade...
A música toca o coração, eleva o espírito, o corpo. Seja para qualquer lugar. Sem música, confesso que minha vida não teria graça, ou sentido. Não haveria poesia. Não haveria dança. Não haveria 'toca denovo..'. E o mundo seria triste.

música: Let It Be (Beatles)

01 outubro 2005

A Vida segundo Charles Chaplin


Posted by Picasa

"A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está de trás pra frete. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso. Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar.
Então você trabalha 40 anos até ficar novo pra poder aproveitar a aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade. Você vai pro colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho no colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando... e termina tudo com um ótimo orgasmo. Não seria perfeito?"

22 maio 2005

Mentiras que Deveriam Ser Verdades (FDR)

"Não houve aplausos depois da última nota da última sonata de Beethoven. O silêncio era tão absoluto que nem o velho da tosse tossiu. Todos se levantaram e foram para casa, e na rua também ninguém falava, nem eles, nem ninguém. Não havia mais som no mundo. Nunca mais houve, exceto uma vez, anos depois, quando o velho da tosse lembrou-se muito vivamente da sonata, e exclamou, baixinho, bem baixinho, pouco antes de morrer:

- Puta Que Pariu! "


(texto do blog FDR)